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quinta-feira, agosto 28, 2008

crônica - A RETÓRICA DO AMOR: EM BUSCA DE UM ESPAÇO PARA SER

A RETÓRICA DO AMOR: EM BUSCA DE UM ESPAÇO PARA SERRômulo Giacome O Fernandes
Edvard Munch - O grito - 1893

Sempre me compreendi como um homem. Compreendi-me como um ser que em toda a dimensão espaço / tempo da existência, existia de modo real, concreto e, efetivamente, habitava o rol das coisas palpáveis. A primeira dúvida quanto à minha existência foi quando percebi que o que eu sabia de mim mesmo era constituído através do discurso dos outros. O que os outros construíam de discurso sobre minha pessoa afetava o meu próprio reconhecimento. Legitimei esta constatação e percebi que para os outros, existo enquanto signo humano, dotado de sentido e intencionalidade, bem como bruta significação. A linguagem estava mais próxima de tudo do que imaginava. Se minha existência estava intimamente ligada ao discurso que faziam de mim, e se meu próprio auto-reconhecimento relacionava-se a como os outros me viam, a linguagem estava em mim mais do que eu imaginava. Conclusão, represento mais do que existo. Logo, se faço parte de um todo maior, onde tudo também representa e, minha pequena parte deste todo, (eu mesmo), age como signo, existo apenas enquanto linguagem. Reconhecendo-me enquanto processo da linguagem, amo como quem escreve um longo texto.



O amor é um texto. O amor é um texto que vem sendo escrito durante muitos séculos;
Mas, onde posso adormecer minha compreensão? Onde posso dormir sem cair e despencar em novos textos? O amor vem sendo construído durante toda a minha vida, e agora ele passa pela minha frente, em conceitos que eu acreditava serem imateriais, e que são simplesmente frases velozes, palavras, letras, formigas, passando, correndo, irão chegar ao fim dos tempos?
O fim dos tempos também é texto;
E o amor? Se não o quero, o nego; É fácil negar o amor. Enquanto texto, posso sempre negá-lo; é só construir a anti-tese; antítese, o paradoxo que agora, desapegado, não pode mais ser senão texto; é fácil, principalmente para quem conhece muito bem o mundo da linguagem; é fácil avaliar um discurso; medir uma oração.
Mas nem toda a retórica do mundo sustenta a morte; descontruo a vida e percebo que a morte não se textualiza; para a morte, não existe metáfora; a morte não aceita texto; mas, e o amor? A escritura pode despertar o amor, pode descrever o amor em seus sub-textos, visto que enquanto eu entendo o amor, entendo-o comigo; ele está em mim; em minha compreensão e em minha linguagem; mas o amor não termina; a escritura é uma armadilha da retórica.

Achava eu que sempre estava perto do amor; achava que o entendendo estava sentido-o; minha mente não conhece nada além daquilo que entendo estruturado, marcado pela referência; enquanto construía o amor em mim, como aquilo do que sempre compreendi, descontruía o Amor; e se mesmo este, ainda tão incognoscível, não fosse apenas um nome, perdido em uma língua estranha, compreendida por uma pobre mente limitada e sub-universal, como sub-referência a si próprio, estaria errando. Não posso referendar-me; só me conheço pelos outros, pelos modelos que os outros criaram para equipar minha parca, tola e limitada visão de mim enquanto signo de mim mesmo; para mim, não existo;
Procuro, neste exato momento, uma metáfora para exemplificar o que sinto; estou mentindo, pois não existo fora de mim, existo enquanto discurso; sou uma mentira naquilo que me compreendo; pego-me agora, sem pensar em nada, um instante de pura existência; preciso de um espaço fora da linguagem, para que possa existir. Estou sufocado. Não existo enquanto ser. Existo para despertar, para nomear, sou utilitário, tal qual um signo, sempre direcionando. Sinto-me preso a minha compreensão auto-reflexiva.
Deliro em Nietzsche: será que ele adoeceu por existir em si, como signo de si mesmo, e nesta limitação da linguagem, aprisionado como um ser particularizado pelo sistema carcerário dos limites conceituais e das estruturas criadas pela história, não morreu? Sim, porque a metáfora é a vaca gorda, deitada no pasto verdejante das hipóteses. Sim, Derrida estava certo, desconstrua. Decline o texto, destrua os nós, coesões e descubra que por trás de todo o texto, sim, existe o nada. E o nada é a única coisa que existe de verdade; é a única coisa que realmente toca a efetividade; sim, desconstrua e descubra que para cada texto, existe apenas uma intenção: a intenção de ser e a intenção de ter sido; eis que brincamos em um imenso teatro de intenções; onde estamos realmente?
Tudo o que vejo já não me satisfaz; procuro as lacunas deixadas por mim, procuro estar atento aos detalhes e se não existem procuro criá-los; na realidade, estou cansado em algum lugar de mim mesmo, na imagem que represento enquanto preso ao sistema de códigos que eu mesmo criei para encenar. Mas isto não me cansa como linguagem, na realidade quero sempre mais, sempre o argumento dentro do cenário, quero refletir sobre a vida, desmontar o código, avaliar o amor como um símbolo, aplicar os conectivos nos lugares certos, antever a coesão dos fatos que me apresentam, e minha cabeça dói; nesta tolice, sou apenas um fragmento boiando no mar de interjeições; como um ser pensante, não passo de um fragmento, sustentando o pensamento Universal naquilo que ele tem de repugnante: a idolatria e a pretensão;

Pensem em nada neste momento; deixem fluir o Caieiro (Fernando Pessoa); sim, deixe-me contemplar o infinito espaço de não pensar em nada, de não fazer nada, de não existir; (sim, porque já estou existindo cansativo, imitativo) estou imitando a mim mesmo, sou linguagem e isto me desespera; deixe-me pensar em nada e sentir o nada como um imenso vazio existencial. Deixe-me contemplar o vazio e o não medir o tempo, deixá-lo esgotar, até que canse de ser referência. O tempo não passa efetivamente, o tempo é simplesmente um discurso sobre a dinâmica da vida.
Só os desatentos são felizes; vamos Des-alfabetizar o mundo; não estamos condicionados a quem nos ama, mas somos aquilo que amamos; Pensando bem, criemos o processo de Des-Alfabetização. Des-alfabetizar o mundo é libertá-lo do estigma de encará-lo como um discurso pronto e acabado, sem o direito e a liberdade de desconhecer. Sim, pois o desconhecer das estruturas, o desconhecer das entre-linhas, é liberdade incondicional. Logo, pergunto-me: Leitura de mundo? É possível ler o mundo? Que mundo nos aparenta? Um conglomerado de recursos, de técnicas e instrumentais, códigos meta-explicados? Um entrecruzamento de acepções sobre o fenômeno real, onde o fato existe enquanto compreendido dentro da linguagem? Um pôr do sol poético? Um amor eterno? Até onde vai o efetivo e o imaginário? Nos adjetivos gastos pelo solado do tempo?

Uma rosa para o meu amor;
Não entendo a expressão de sentimento enquanto a manifestação de instrumentos semiotizados; uma rosa para meu amor; uma eterna rosa para meu eterno amor, em um amplo cenário de por do sol. É isto que eu sempre procurei, na pretensão de confundir realidade com discurso. Como se através destas representações semiotizadas pudéssemos enganar o mundo quanto aquilo que sentimos realmente. Um por do sol de Robert Frost, ou quem sabe, Keats. Eu caibo perfeitamente como um sintagma, dentro das minhas próprias crenças. Embolo-me na teia imaginativa dos vocábulos e acho, que isto, é vida. Vivemos simulando o que sentimos. O primeiro a pensar em simulações foi Platão, com sua mimese. Não vivemos o mundo, vivemos um mundo que construímos a partir do dado material imitativo. Vivemos em um simulacro onde tudo não é real, mas sim compreendido pela linguagem, abarcado pelos signos visuais, sonoros e até mesmo conceituais. O simulacro é simular a vida, como bem tocou no problema Jean Baudrillard. (Simulacros e Simulações).
Procuro um amor que sempre esteve dentro de mim, e que descontruí por tantos anos, e talvez agora, mais do que nunca, sepulte-o eternamente, renascendo o novo.


Quanto ao amor, há mais explicações sobre o amor em falar nada sobre o amor do que toda a nossa indumentária retórica. Lamento. De tudo isso, apenas AME.

PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS E ATIVIDADES

12 de AGOSTO 2008 - Simpósio Integrado de Ciências Humanas (SINCH) que tem como tema “Linguagem, ciência e relações sociais – a dialética do conflito”. O evento ocorreu no Campus da UNESC em Cacoal. Congregou os cursos de Letras, Pedagogia e Psicologia.
Participação com o mini-curso: "Como Ler pinturas abstratas" - Incursão da semiótica e teoria entre-textos na prática da decodificação simbólica e semi-simbólica;


23 de AGOSTO 2008 - Pós-Graduação complementar ao curso de capacitação GESTAR - São Miguel do Guaporé - Disciplina Ministrada: Metodologia e Didática de ensino de Língua Portuguesa nos anos iniciais: leitura e literatura. Turma maravilhosa e participativa.

sexta-feira, agosto 22, 2008

RESENHA CRÍTICA - POR QUE (NÃO) ENSINAR GRAMÁTICA NA ESCOLA

RESENHA CRÍTICA - POR QUE (NÃO) ENSINAR GRAMÁTICA NA ESCOLA
Helem Cristiane Aquino dos Anjos Fernandes[1]

POSSENTI,Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas/São Paulo: ALB, Mercado de Letras, 1996.



Na obra “Por que (não) ensinar gramática na escola”, de Sírio Possenti (1996), o autor apresenta uma proposta de mudança radical para o ensino de Língua Portuguesa. Argumenta que “para o ensino de língua materna mudar de verdade, não basta remendar alguns aspectos, é necessário uma revolução” (1996), pois, em nada vale mudar os programas de ensino se não houver mudanças nas escolas e nos professores. A hipótese do autor é que ensinar “língua” e ensinar “gramática” são coisas diferentes, por isso aposta no ensino da língua (viva e atual) e não de regras gramaticais (inusitadas e ultrapassadas), sendo assim, acredita que “o domínio competente da língua não requer o ensino de seus termos técnicos” (1996, p.54). Nessa obra, Possenti sugere várias propostas para o ensino de Língua Portuguesa que são de extremo bom senso, pois se constituem de metodologias alternativas, que com a conscientização do professor, ele mesmo pode aplicá-las em sala de aula. Como exemplos podemos citar:

quinta-feira, agosto 14, 2008

Cinema - SANGUE NEGRO (BROTA SANGUE DO CORPO ÁRIDO)

SINOPSE
No início do século 20, no Texas, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um magnata do petróleo, tenta ensinar ao filho H.W. Plainview (Dillon Freasier) princípios que, na sua visão, considera importantes como família, ambição e riqueza nos negócios. Porém, ele terá de enfrentar o fato de que o filho começa a simpatizar com trabalhadores socialistas e seus ideais.



O fato de Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) estar sendo comparado a Cidadão Kane é um evidente exagero, justificado pela ansiedade da mídia em eleger novos clássicos adultos numa Hollywood cada vez mais infantilizada. É um exagero, mas há na comparação certa razão: o incensado drama épico de Paul Thomas Anderson trata, como a obra-prima de Orson Welles, de um homem que tem tudo e ao mesmo tempo não tem nada. (Marcelo Hessel)

Resenha filme - SANGUE NEGRO (BROTA SANGUE DO CORPO ÁRIDO)
Grandes experiências e grandes percepções são conquistadas a partir da consciência do percurso, de cada etapa, cada momento e conquista, palmo a palmo; dessa forma, todo filme épico acaba por ser um ato de descobrir, como uma onda que leva várias coisas ordenadamente e simultaneamente a uma direção; Sangue Negro não é um épico, diga-se de passagem, mas é uma onda que avassala, em um crescente sem proporções;

terça-feira, agosto 05, 2008

O NO-SENSE NO IMAGINÁRIO POP

No meio do caos de informações Pop, do somatório de inutilidades de consumo e produção artística, do universo Kitsch da réplica e imitação à teia de referências, contatos, pseudo-críticas artísticas sem análises e leituras sem interpretação, alguma coisa tem que sustentar essa panacéia toda no vácuo criativo;