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segunda-feira, novembro 30, 2009

Cinema - BASTARDOS E INGLÓRIOS - QUENTIN TARANTINO

BASTARDOS E INGLÓRIOS: UM CULT SOB UM RÓTULO POP OU UM POP SOB UM RÓTULO CULT?

por Rômulo Giacome
Um filme de guerra maravilhoso, com um contexto histórico rico e uma trama interessante. Uma cena final apoteótica com um personagem perfeito (Coronel Landa), que magnetiza a todos com sua presença. Cenas finas e bem acabadas, com diálogos densos mas com grande expectativa. Doses de violência e referências pop com a música final de David Bowie. Tudo isso orquestrado pelo Nerd cinéfilo Quentin Tarantino. É para contemplar ou não?

terça-feira, novembro 24, 2009

A CONCEPÇÃO DE JUSTIÇA EM SÓCRATES

A CONCEPÇÃO DE JUSTIÇA EM SÓCRATES A PARTIR DA PEÇA "ANTÍGONA" DE SÓFOCLES
Rômulo Giacome
1.1 Perfil filosófico de Sócrates (469-399 a.C)Filho de Sofrônico, escultor e Fenáreta, parteira, nasceu Sócrates, 469 anos antes de Cristo, em Atenas. Moldado pela reflexão e pela cultura helênica de Péricles, Sócrates foi um rígido Magistrado e valoroso soldado. Não participou ativamente da vida pública, mas sua convicção na força das polis lhe rendeu méritos filosóficos.

segunda-feira, novembro 23, 2009

música - PORCAS BORBOLETAS - A PASSEIO

PORCAS BORBOLETAS - "A PASSEIO"
por Rômulo Giácome
Quem me conhece pessoalmente sabe que falo muito em PORCAS BORBOLETAS; Não por menos;; eles merecem muito; os conheci em Porto Velho, no festival Casarão. Fui abduzido. Geniais, eles revigoram a atmosfera Rock do nosso parco repertório nacional contemplado pela mídia. É tudo uma grande mistura entre Titãs de Cabeça Dinossauro (fases áureas) com Arnaldo Antunes da fase poética (solo), com performances inusitadas, mas muita força, feeling e vontade, elementos que fazem falta no poser/faker que o mainstream tem proporcionado.
O meu primeiro contato com o Porcas veio ao ver / entrever a performance de "Nome Próprio"; a forte enunciação letra / refrão, o entusiástico elemento verbo e guitarra me fizeram mordiscar a isca e contemplar mais um pouco; absurdamente criativos e legais, no bom sentido; um experimento bom, tal qual mistura de bebida no encandescimento das já tomadas; "Nome Próprio" é a segunda música do muito bom álbum "A passeio"; sua história está ligada à fatos, referências e filmes (e mais alguns ingredientes) que fazem uma banda estar na hora certa no lugar certo e pronto; esta forma plástica de grito do refrão, este eufórico processo de cantar "quando ela tira a roupa / algo se revela / ela tem uma tatuagem / de cicatriz" além de construir a linha veloz / violenta do refrão, demarca a ritmia e sonoridade das consoantes e vogais sibilantes, sonoras, ríspidas, tal qual a materialidade da tatuagem, sua rusticidade envolvida no acidente (cicatriz); o ritmo demarcado pela brasilidade do bumbo referenda algo na linha da Nação Zumbi com acidez e espírito loser. Música incansável e intensa, que não respira, só termina, no ar, pois fica na mente;

"A passeio" é um álbum distribuído por um selo independente e disponibilizado na Internet. Como música de abertura, "menos" traduz a letra inquietante e pós-moderna de Clara Averbuck. A sacada poética de "Pra viver mais / eu sei que é preciso viver menos", construída sobre a relação anti-análoga entre viver mais e viver melhor traduz a voravidade poética da palavra, seu trato, mas além disso, uma ideologia, um mote, uma virtude pop de construir um modo de vida, uma percepção sobre esta. A narrativa deslancha e cresce a medida que o baixo constrói um refrão / riff maravilhoso, esperado e ansiando a próxima "rodada"; é bem rock and roll, chegando a ser rock star, performático com ares guitar hero (quantos adjetivos rockers!!). Maravilhosa! é o meu sigle preferido. O disco também consegue incorporar estruturas melódicas na linha "Antuniana"; é o exemplo de "A passeio"; com levada psicodélica de teclado, ela incorpora um vocal claro e objetivo; o refrão faz um trocadilho com "nada no lugar / let it be / deixa estar"; uma bela canção, mesmo que não empolgue; Em "Dinheiro" a veia irônica e sarcástica do Porcas é mais acentuada; a capacidade narrativa de tecer crônicas humorísticas da realidade circundante tem vazão nesta canção; sua estrutura ritmica e melódica lembra, novamente, Arnaldo Antunes, mas incorpora alguns ingredientes pop que funcionam muito bem, como a valorização sonora do termo "dinheiro"; "gastei dinheiro / com você".
No entanto, o ápice do disco realmente está em "estrela decadente"; a marca máxima desta banda de Uberlândia está na enunciação desafiadora, lancinante, aguda e afiada com que desfere os golpes: "você sabe qual é o seu signo? / você não é escravo dos astros"; a força crítica do conteúdo encontra corpo na forma insendiária do refrão: "você não vai pro céu / nem vai ser estrela"; a música possui uma unidade, uma manifestação quase teatral, estruturada, o que a torna uma peça original; desde as micro inserções do programa do Sílvio, até a sacada que Sílvio Santos morreu em 1984 "o sílvio santos que você vê é de plástico"; perfeita; se porcas borboletas tivesse um logo musical, este seria "Estrela Decadente". Por fim, merece estreita análise e obervação o riff genial e marcado de "O Rato"; é impossível não materializar a encenação vocal, a forma cantada do "Rato", sua perfídia e insinuação; as formas do rato na voz e ritmo, cruzada pela guitarra e bateria enlouquecida; uma hora ou outra um piano microfônico invade, em pequenos pontos ensandecidos; o Rato, em sussurros, caminhando pela Sala, deixando rastros na canção; excelente faixa;
Porcas Borboletas é uma banda honesta em um cenário honesto de circuito alternativo; busca a criatividade e encontra muitas vezes bons momentos, como em "Dinheiro" e "Menos"; mas também constrói canções originalíssimas e antológicas, acima da média, como "O Rato" e "estrela decadente"; porcas borboletas não muda o mundo da música, mas pega o bastão e conduz com maestria o rock original brasileiro.

quinta-feira, novembro 12, 2009

A VIDA TEM SEUS MOTIVOS... QUAIS OS NOSSOS PARA VIVER?

Um tronco de Ipê foi usado como poste; Mal sabiam que a vida tem seus motivos para sobre-existir sempre, e este tronco procurou o que lhe restava de forças e renasceu.


O DEVIR

A vida procura seus motivos. A vida paira por onde existe a força. Não aquela força inócua da imagem embrutecida da resistência, da intolerância. É a força sensível da lágrima e a força do gesto. A força que degenera a opinião através da imagem, do arder da consciência, aquele queimar velho e intenso do peso e da culpa. O refluxo da dor, do perder. Esta dor imperceptível que não está no músculo mas está na aura, no ânimo, no desenho rotineiro do seu dia, na sua motivação, na vontade. A força do riso, que nasce de pronto, do nada, do limpo, que é caro e raro.

O ato involuntário, invólucro da alegria, a anti-resistência, a plenitude, a busca pela consciência tranquila, pelos excessos de aucomiseração e critério, ausência de auto-resistência, sabendo que quem se leva muito a sério tem a si como rival. Buscar no olhar do outro a reprovação e reprová-lo antes, evitar tudo e saber que é como queremos, e se queremos alguma coisa se não que nos amem e nos adorem, totem e tabu.

Muitas forças se entrecruzam, em abraços e convicções. A força do saber e do poder contar, chamada amizade. Em tudo isto paira um bruto e constante movimento, uma inércia que nos move rumo à intensidade da vida, rumo aos seus porões profundos, ao máximo e ao ápice, amando, tendo, perdendo e obtendo. Um processo rápido e veloz que nos conduz como em uma longa montanha russa, batendo do lado em balanços frenéticos, um devir, um vir a ser.



Mas, na claustrofobia da vida, no "close me" da personalidade, na busca de parecer-ser esquecemos que a vida ainda pressiona nossas artérias rumo aos nossos próprios motivos. Motivos de soslaio, coelhos que irrompem de um conto que inventamos, estórias belas e outras feias que vamos confeccionando, e incluindo em orifícios de vida, lacunas de vontade, protegendo-se sempre de nós mesmos, estabelecendo uma conexão distante entre o que queremos e que realmente somos.


A VIDA NÃO FLUI....
FRUI DE CANTO
NAS BORDAS E O INTERIOR, DISSIPA
CARREGA,
DILACERA A PRESA, CARNE LIMPA SANGRA
E ESVAI, EXAURE
AS DIFICULDADES ROLAM
TROMBAM E PARAM,
PAREDE PEDRA PURA
PARA NAQUILO QUE VEM DE ONDE SE ENXERGA
COM AS MÃOS

É LUMINOSO O MOVIMENTO QUE CARREGA A FOLHA
É AUSTERO E RESERVADO AS PREMISSAS DO SÁBIO
QUE MORTAS, NÃO VIVEM
RESISTEM
AO SABOR E CALOR DO TOMBO

NA VELOCIDADE INFINITA DA QUEDA

BASTA ESTAR PARA SER
SER E ESTAR
NA PESSOALIDADE DA IMPRESSÃO DIGITAL
O DEDO, SOLTO DO CORPO, RESPONDE POR ELE
A MENTE, DESPREENDIDA DO CRÂNIO
DELIRA NO PALCO, RASGA A ROUPA E INANE A RAZÃO
ENQUANTO NOS BASTIDORES OS OUTROS VIVEM
RESPEITANDO A CERCA
VOLTANDO LENTAMENTE DO SONHO
E CAINDO NA RESSACA INTENSA DA MORTE
Rômulo Giacome (2009)

sexta-feira, novembro 06, 2009

INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO E SABER: DISTINÇÕES SOB A PERSPECTIVA DA LINGUAGEM


O presente ensaio enseja introduzir a questão da informação, conhecimento e saber, tanto no mundo acadêmico / científico, quanto no universo individual do sujeito cognoscente, ou seja, todos nós que lidamos com conhecimento. A separação terminológica e a classificação destas três categorias contribuem para a discussão sobre como utilizamos as informações que adquirimos, o que é e como se dá o conhecimento e a importância da autonomia para o conceito de saber, todos conectados pelo cimento da linguagem enquanto suporte da informação.


Vivemos em uma era de muita informação. As informações estão espalhadas por todos os lados, seja de modo digital, seja de modo material. No entanto é fato que a criação de um novo suporte barato para a informação, como foi o avanço da era da informática, proporcionou um gigantesco número de gigabytes de dados em forma de textos, música, vídeo e outras formas de manifestação desta informação. Isto indica que, temos mais suporte de armazenamento de dados, incluindo aí a internet, e de veiculação destes dados do que propriamente informação. Assim, é fato que teremos um nível absurdo de fragmentação da informação, de descaracterização de seu conteúdo e ainda de desformatação de sua essência primeira. É a época da diluição da informação complexa para a informação rápida e metafórica que vivemos. Livros que diluem a obra de filósofos e grandes pensadores (Quando Nietzsche Chourou), obras ficcionais que incorporam uma pseudo-historicidade que passa a ser uma teoria para os leigos (O código de Da Vinci, Anjos e Demônios). São dezenas de formas híbridas de saberes e informações que escapam aos nossos dedos todos os dias; formas recauchutadas de informação, formas re-feitas, recicladas. É o pastiche e brincolage na arte. Em suma, existe muito mais informação do que capacidade para processá-la.
Porém, a informação não é sinônima de conhecimento. Quantos terabytes são derramados sobre nós e não geram aplicabilidade ou formas novas de pensamento, técnicas ou novos pontos de vista? Assim, é concluso que o conhecimento está a um nível acima, ou seja, é a informação aplicada. Quando aplicamos aquela informação estamos construindo conhecimento.
A comunicação é uma forma estupenda de aplicabilidade da informação e, portanto, é uma forma cognitiva específica e eficaz. Quando falamos de algo estamos segmentando um conhecimento que é nosso, mas pode não sê-lo no futuro. Isto quer dizer que ao falar sobre qualquer assunto a alguém, propomos um processo complexo de busca, seleção e combinação destas informações, além de todo o aparato formal da representação (discurso) que irá transmutar esta informação em conhecimento; assim, escolhemos formas de enunciação (gestos, atos, melhores maneiras de representar o que queremos transmitir) e formas de enunciados, como a criação de metáforas, figuras que tentem retratar aquela informação primeira. Assim, ao se comunicar, gerimos as informações que estão armazenadas em nosso aparato memorial e construímos conhecimento ao fecundá-las no discurso produzido.
Levando em conta o conceito de que o conhecimento é a forma aplicada de informação, e uma destas formas aplicadas é a comunicação, por derivação é bom salientar que o próprio ato de gerir o rol imenso de informações que nos rodeiam pela aplicabilidade do discurso é um dos princípios absolutos do conhecimento.
Em uma tri-dimensão onde informações são trocadas em milésimos de segundo, a recepção destas informações e o arquivamento são meras etapas procedimentais burocráticas. É preciso mecanismos claros de pertinência, classificação e funcionalidade, bem como critérios lúcidos para qualificar estas informações.
Ressaltando o que já foi dito anteriormente, dos procedimentos enumerados acima, a comunicação é a forma mais apropriada e eficaz de segmentar conhecimento, ou seja, aplicar uma informação no campo concreto ou teórico. Por outro lado caminha a possibilidade de gestão do conhecimento, ou seja, a seleção das informações relevantes, transpassadas pelo crivo da aplicabilidade e pertinência e sua organização sistemática dentro dos campos práticos e teóricos.
Ao perceber e descrever o processo de aquisição da informação e aplicação desta (conhecimento) é perceptível, neste interregno, a necessidade de autonomia do individuo em buscar esta informação e transformá-la em conhecimento. É preciso traços de motivação e vontade para impulsionar o ser cognoscente no rumo da informação e mais ainda no campo da aplicação desta informação. Esta autonomia é mais importante do que a própria informação, pois esta, descontextualizada do discurso do cognoscente, passará ao largo do conjunto otimizado de informações chave que constroem novas informações.
Também é importante ressaltar que o sujeito cognoscente, além de conhecedor e ser que busca a informação, deve também ter a consciência de que além de sujeito ele é objeto do próprio conhecimento. Sujeito e objeto do processo cognitivo.
Não é garantia de sucesso profissional o fato de um acadêmico ter recebido muitas informações na graduação. Na prática, a capacidade de buscar mais informações e aplica-las falará mais alto do que aquelas informações teóricas apreendidas durante o processo acadêmico. Ou seja, a autonomia de saber onde buscar informação e como aplica-la é habilidade imprescindível ao que denominamos como saber.
A semiótica consegue explicar este processo de informação que traz nova informação quando da relação do signo com o outro signo, na permuta constante de novas leituras a partir do interpretante. Pela teoria semiótica, o sentido de um signo é outro signo. Nesta permuta constante de um signo que procura outro signo, em um processo ad infinitum dá-se o nome de semiose. Assim, forma e conteúdo convivem lado a lado, assim como informação e suporte. Aplicando tal premissa na sistemática da linguagem da informação e do conhecimento, uma informação é concretizada por outra informação complementar, meta-explicativa ou suplementar. É inconcebível não encarar a informação enquanto desdobrável e escamoteável, pois ela é uma espécie de informação da informação, pois pensamos determinado dado de maneira particular e podemos utilizá-la também de maneira particular.
Assim, nesta autonomia para buscar mais e mais informação, com vontade e motivação própria, temos o conceito de saber enquanto práxis (trabalho sobre a realidade).
De forma geral, a informação é um dado solto, um signo dentro de um complexo cognitivo amplo. Quando aplicada, torna-se conhecimento. Fechando a tríade, a autonomia para buscar mais informações e aplicá-las é possível denominar de saber.
Em uma escala processual terminológica do andamento e desenvolvimento entre a informação e a autonomia, teremos este panorama: informação, conhecimento e saber.

segunda-feira, novembro 02, 2009

O "NO SENSE" COMO REFERÊNCIA COMUNICATIVA

O NO SENSE POSSUI UMA CAPACIDADE ABISSAL DE ENTENDIMENTO E PODER DE ATRAÇÃO, GRAÇAS À SUA CRIATIVIDADE E HUMOR SAGAZ, SARCÁSTICO E HIPERBÓLICO. ELE JÁ NÃO DEVE SER CONFUNDIDO COM "BOBAGEM" ARTÍSTICA, MAS SIM COMO UM GÊNERO QUE VEICULA MUITA INFORMAÇÃO.