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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

LETRAS: HABILIDADES E COMPETÊNCIAS

O PROFISSIONAL DA ÁREA DE LETRAS E SEU PERFIL
by Rômulo Giacome

"Texto dedicado aos alunos do 1º período de Letras, que nesta caminhada rumo à profissionalização, ficarão encantados com o poder e a beleza de lecionar, bem como a transformação que a leitura e a escrita promovem silenciosamente em nosso ser. Abraços"

Qual o perfil do profissional de Letras? Qual profissional de Letras a sociedade quer? Qual nossa importância técnica, funcional e social?

Discutir as habilidades e competência do curso de Letras é antes de tudo discutir sua essência acadêmica e funcionalidade. Essencialmente Letras é um curso para formação docente. Ou seja, formar professores. Qual a importância disso?

Em primeiro lugar,
ensinar alguém é um ato extremamente técnico e humano, onde nesta simultaneidade surge a cumplicidade, interesse mútuo e interação. É impossível um professer que se destaque não ter conseguido interação com a turma, proximidade e legitimidade para ensinar seus conhecimentos. Muitos optam pela autoridade, deixando nítido que o respeito deve vir pela força. Outros, mais sábios, preferem o caminho da igualdade, onde o verdadeiro respeito se dá pelo conhecimento verdadeiro e não pela autoridade.
Em segundo lugar quando se aprende algo para ensinar se aprende mais e melhor. Quando ensinamos algo à alguém é porque conseguimos dominar aquele conhecimento profundamente. logo, quando o objetivo é o ensino, absorvemos mais e melhor as informações, transformando-as em algo cognitivo para nós e nossos alunos.
Assim, podemos antever que um profissional de Letras adquire, no curso, vetores de habilidades inerentes á sua profissão, tais como: relações humanas, inter-comunicação, expressão, técnicas de comunicação, gestão humana, comunicação oral e escrita, bem como domínio da língua em sua forma culta e flexível, articulando a fala e a escrita de modo mais científico e detalhado.

É bom sustentar o pressuposto de que habilidades estão concentradas no plano técnico, procedimental, enquanto que competência é processual e ampla.
É inegável que o profissional de Letras é capacitado para a realidade do agora. Este ser que necessita trabalhar em grupo, gerir pessoas (sala de aula), construir uma comunicação a partir de técnicas eficiente e eficazes. Qualquer campo profissional prioriza estas habilidades letradas, valorizadas por este curso brilhante e histórico.
Logo, o perfil do profissional de Letras é mais humanizado, adequado à qualquer situação relacional.
Assim, adjacente à formação importantíssima de lecionar, da formação docente, existe um amplo aspecto de habilidades (citadas acima) que constróem não somente um professor, mas um profissional completo, dotado de requisitos para atuar em outros campos.

Por outro lado, aprender algo para ensinar é um combustível valioso, que se traduz em maior assimilação dos conteúdos específicos. Mais do que a habilidade de conhecer as normas da língua portuguesa culta (habilidade caríssima nos dias de hoje), existe também a competência linguística e discursiva de compreender os mecanismos da língua para ensinar.
Esta competência é a essencial fusão entre a prática do ensino e suas necessidades didáticas com o aprofundamento do conteúdo que o curso de Letras oferece.
Muitas habilidades podem ser adquiridas com cursos rápidos, como técnicas de expressão, revisão textual; mas sua eficácia só será determinada pela prática e aprofundamento, elementos obtidos via de um curso de Letras que valorize a leitura e a pesquisa como fontes primordiais de conhecimento pleno e puro. Logo, além das habilidades localizadas e específicas, o profissional de Letras sairá do curso com a competência ampla de dominar a língua e suas linguagens.
Um outro elemento ligado à competência e habilidade do curso de Letras consiste na prática de leitura e escrita. Uma mudança vagarosa e sutil ocorre em todo acadêmico de Letras que consegue transpor a barreira que impede a leitura e inicia esta atividade. A leitura transforma em grau profundo, não só nas habilidades de decodificação (passagem dos olhos pelo texto e melhor assimilação das construções frasais, oracionais, etc) mas também pela habilidade de interpretação e compreensão de textos simples e complexos. Além destas habilidades, a leitura promove a valiosa competência intelectual, ou seja, o interesse e curiosidade pela informação, seu processamento e cognição. Ou seja, a competência de aprender a aprender, que impulsiona qualquer profissonal para a vitória.

Nestas breves linhas, trocando em miúdos, a capacitação que o curso de Letras oferece é específica, intensa e técnica, quando falamos em habilidades, mas também é integral, formacional, chamada de competências.
Aquele que tem interesse em vencer neste mundo cada vez mais relacional, complexo, lotado de informações textuais, seja pela linguagem, seja pela língua materna, este indivíduo só terá um arrependimento, não ter sentado no banco acadêmico do curso de letras e ter explorado tudo que ele proporciona.

Abaixo segue informativo sobre o curso.


O curso
O curso de Letras da Unesc é articulado para construir profissionais que dominem a teoria e a prática docente para o exercício do magistério nas disciplinas de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas literaturas. Para isso, sua matriz curricular apresenta disciplinas práticas e metodológicas, que fornecem laboratórios, oficinas produção, análise, confecção e crítica para o uso constante e regular da língua e linguagens efetivadas na realidade imediata, tornando o profissional de Letras um especialista prático e teórico da comunicação em suas variáveis.

Letras ainda proporciona disciplinas teóricas para o domínio dos conceitos, operadores e princípios que regem a Língua e linguagem em suas particularidades dentro dos vários tipos de comunicação.
Para a aproximação da teoria com a prática, o curso de Letras possui um estágio supervisionado especial, com acompanhamento e convênio com as melhores escolas e instituições para atender aos requisitos da experiência docente necessária ao futuro profissional.

O Profissional
O curso tem como finalidade formar profissionais com competências e habilidades para o exercício da atividade de professor em Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, no ensino fundamental, médio e superior, bem como para lidar com as diversas linguagens nos campos: empresarial, comercial, vendas, do direito, da publicidade, do marketing, do jornalismo, além de ser intérprete internacional, revisor textual e redator.
Assim, ao final do curso, o aluno terá domínio teórico e prático dos componentes da língua e da linguagem, podendo aplicar estes conhecimentos em várias áreas da comunicação, tais quais: empresarial, marketing, jurídica, artística, bem como na prática educacional, reconhecendo e utilizando as metodologias didáticas do ensino de língua portuguesa, literaturas e língua Inglesa.

MATERIAL BASE PARA AS AULAS DE TEORIA LITERÁRIA

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Pilares da Teoria Literária

Pontuando Acízelo

Base Linguística da Literatura

O ato criador Verbal

Estética Literária e Subjetividade

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Disco – OTTO - HOJE ACORDEI DE SONHOS INTRANQUILOS

QUANDO PERDER É GANHAR!!
By Rômulo Giácome

O nordeste sempre construiu uma excelente veia poético / musical, cravando em belas melodias excelentes letras, tais quais algumas antológicas,

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

LITERATURA DE CORDEL - CORDEL DO "BIG BROTHER"


A simplicidade da Literatura Cordel advém de sua estrutura simples, musical e da monotemática narrativa construída nos livros pendurados em varais.
A representatividade do Cordel está ligado à construção de grandes mitos e símbolos da cultura nordestina, catalizados e compilados a partir da mescla religiosiosa e cangaceira de sobreexistir do sertanejo. Patativa do assaré é um dos grandes representantes desta cultura. Inicialmente, neste post, eu iria PUBLICAR o texto do poeta cordelista Antônio Carlos de Oliveira Barreto, uma grande dica da minha orientanda Nicy. Mas devo também fazer uma homenagem ao grande poeta Zé da Luz. Com o seu irrenarrável poema AI SE SESSE. Imortalizado e eternizado pelo maravilhoso CORDEL DO FOGO ENCANTADO. Leiam que irão gostar. É uma crítica popular ao BIG BROTHER da Globo, mas que assinala fortes verdades.
Acessem a página deste autor sagaz e mantenedor da cultura do cordel:

http://www.barretocordel.wordpress.com/

http://barretocordel.blogspot.com/2010/01/big-brother-brasil-um-programa-imbecil_21.html#comments


Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal...

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010


ZÉ DA LUZ

(pra queles qui acha que pra falar di amor tem qui fala difirci)

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse


sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A INVENÇÃO DE MOREL - ADOLFO BYOU CASARES - Resenha

A INVENÇÃO DE MOREL - Adolfo Byou Casares
by Rômulo Giacome
Muitos têm oportunidade de ler grandes obras clássicas. Obras de Machado de Assis e sua trilogia “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Dom Casmurro”. Obras palatáveis, até compreensíveis ao ponto de vista do leigo iniciante no mundo da literatura. Mas existe um patamar acima de leitura. Um patamar, polêmico eu sei, mas que do ponto de vista do leitor depreende mais esforço, mais trabalho, paciência e energia intelectual. É o caso de minhas experiências com Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas foi meu grande desafio. Demorei dois anos para ler e quando terminei, senti uma lacuna, como se a obra pudesse me dizer mais. O início da estória estava ficando cada vez mais distante; a trama central era simples, mas os enleios psicológicos, filosóficos e verbais me fizeram tatear pelas palavras como em um limbo de compreensão. Faltou alguma coisa, mensagem que nunca estará completa, pois Grande Sertão é um enigma perfeito, uma obra literária modular e que nunca será esgotada. Um nível semelhante entendo e sinto em Jorge Luís Borges. Sua literatura fantástica é fascinante. Criar histórias, construir mundos ficcionais, universos que se confrontam com a realidade, se multiplicam e se coadunam, como em uma espiral criativa é algo grandioso. Adolfo Byou Casares está neste plano. Em um nível superior de leitura, quase contemplativa. A invenção de Morel é uma etapa que todo leitor experiente ou não deve empreender para entender realmente a boa literatura.