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quarta-feira, abril 27, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 6ª EDIÇÃO - DIFERENÇA ENTRE FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO

By ELISANDRO FÉLIX DE LIMA


A partir dos anos iniciais do ensino fundamental, os livros didáticos começam a incorporar entre os conteúdos, frase, oração e período. O que o aluno sempre entendeu por frase, passa a ser desfeito, porque os livros didáticos e professores irão ensinar em alguns casos, que a frase deverá ser chamada de oração.

Afinal, qual é a diferença entre frase, oração e período? Uma dica básica e inesquecível é considerar que a frase pode ser qualquer enunciado que possua ou não verbo, mas que tenha um sentido completo. A oração é um enunciado com sentido completo que se estrutura com base em um verbo. O período é uma oração composta por um ou mais verbos.

A frase classifica-se em:

1) Declarativa – faz uma declaração. “Estou bem.”
2) Interrogativa – faz uma pergunta. “Como você está?”
3) Exclamativa – expressa um sentimento. “Que frio!”
4) Imperativa – dá uma ordem ou pedido. “Não corra! pare!”
5) Optativa – expressa um desejo. “Quero a sua aprovação no vestibular”.

A oração, às vezes, pode ser sinônimo de frase e de um período simples. Assim, os enunciados (1, 2, 4 e 5) são orações e frases, pois, estruturam com base em verbos (estou); (está); (corra, pare); (quero). Já, o enunciado (3) é, somente, frase. Isto é, não pode ser oração, porque não está estruturada com base em um ou mais verbos.

O período classifica-se em: simples e composto.

Período Simples – apenas uma oração. “Eu voltei às nove horas” (Um verbo, uma oração)

Período Composto – tem duas ou mais orações. “Não viajarei amanhã, viajarei na próxima semana e voltarei no próximo mês”. (Três verbos, três orações).

Nota de reforço:

Uma oração pode ser chamada de frase. A oração sempre vai ser estruturada em um verbo. Uma frase, quando não estiver estruturada com base em um verbo não poderá ser chamada de oração. Na frase é facultativo o uso do verbo.

Descomplicando:

Observamos a oração: "Eu vou fazer doces". A oração está estruturada em dois verbos (vou e fazer), porém, não é um período composto, já que os verbos formam uma locução verbal, portanto, uma mesma ideia. Então, não vamos pensar que a quantidade de verbos irá determinar se o período será simples ou composto.

Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal, Pós-graduando em Gramática Normativa da Língua Portuguesa, prof. Tutor em cursos a distância da UNISA.

quarta-feira, abril 20, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 5ª EDIÇÃO - OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

BY ELISANDRO FÉLIX DE LIMA


O tópico gramatical desta edição tem como objetivo resolver uma questão de língua portuguesa da prova do concurso público, elaborada pela Faepesul, para o cargo de Técnico Administrativo, na prefeitura de Santa Catarina. Como tema da questão, temos o conteúdo, os vícios de linguagem.

Muita gente sonha com a aprovação em um concurso público e, vivem a busca do grande segredo. Como ser aprovado? O segredo para alcançar um bom resultado, sem dúvida, é estudar exaustivamente. E claro, na hora da prova manter tranquilidade para ler e interpretar o que se pede nas questões. As opções de respostas das questões de múltipla escolha são, geralmente, bastante confusas. O candidato tem que ficar atento as palavras chaves, como por exemplo: todos, exceto, geralmente, sempre, incluindo, na maioria, às vezes, nem sempre etc.

Quando o candidato tem um domínio médio do conteúdo, com bastante calma e concentração, ele pode obter bons resultados. Porém, cada proposição deve ser analisada, com atenção, conforme segue a dica abaixo.

Resolução da questão n° 8 – Língua Portuguesa – (Faepesul).

A questão pede para assinalar a proposição correta no que se refere aos vícios de linguagem. Os vícios de linguagem são palavras ou construções que vão de encontro às normas gramaticais. É comum, no dia a dia, que pessoas venham cometer equívocos de pronúncia ou de escrita, esses equívocos podem estar relacionados aos vícios de linguagem.

A questão:

Assinale a alternativa correta no que se refere aos vícios de linguagem:

a) Na frase “O torcedor pagou vinte reais por cada ingresso”, temos um barbarismo.

b) Na frase “Os fregueses da padaria preferem pão com mortandela”, temos um pleonasmo.

c) Na frase “A grande maioria da população brasileira é apaixonada por futebol”, temos uma cacofonia.

d) Na frase “Ele não conhece o seu métier”, temos um arcaísmo.

e) Na frase “O pai proibiu o filho de sair em sua motocicleta”, temos uma ambiguidade.

Na frase (A) precisamos localizar qual é o vício de linguagem que prevalece. Aparentemente, é uma frase sem nenhum erro, realmente, não há erro de ortografia, porém há um vício de linguagem e não se trata de um barbarismo. O “defeito” na construção frasal, por assim dizer, trata-se da expressão “por cada” que dá a entender (porcada), que é classificado como uma cacofonia, isto é, relativo ao som. A cacofonia é o som desagradável produzido por um encontro acidental de sílabas. Esse tipo de cacofonia se classifica como cacófato. Também, a cacofonia pode ser do tipo de eco. O eco caracteriza-se pela repetição de um som em um enunciado. Um exemplo de eco “é importante que o anunciante atinja o comerciante”. A palavra cacofonia vem do grego “Kacós (mau, ruim); Fone (som)” = “som ruim”.

Na frase (B) não contém um erro de pleonasmo. Para que se entenda melhor, pleonasmo trata de frase do tipo “subir para cima, descer para baixo”. O vício de linguagem encontrado na frase (B) trata-se de, agora sim, barbarismo na grafia. Barbarismo é o desvio na pronúncia, na grafia ou na semântica. A palavra que causa estranheza no enunciado é mortandela, que na maneira correta de escrita deve ser mortadela.

Na frase (C) trata-se de um vício de linguagem. A expressão “grande maioria” é uma redundância. “Grande” já quer dizer “maior/maioria”, ainda, em outro contexto, o “das figuras de linguagem”, a frase poderia ser uma hipérbole, isto é, exagero.

Na frase (D) a palavra “métier”, trata-se de um estrangeirismo, no francês quer dizer “profissão/ ofício”. Se no passado, a palavra “métier” foi utilizada aqui no Brasil para se referir à profissão, pode ser que, atualmente, essa palavra seja considerada um arcaísmo. Assim, arcaísmo é um tipo de palavra arcaica, isto é, palavra que não é mais usada em nossa língua. E essa questão causa bastante dúvida, uma vez que, a palavra confere com o conceito. Porém, arcaísmo não é considerado um vício de linguagem.

A frase (E) é a considerada correta, uma vez que se trata de uma ambiguidade no pronome possessivo “sua”. Ambiguidade ocorre quando uma frase dá margem a duas ou mais interpretações. Na frase dá a entender que o “filho” está proibido de sair na “motocicleta” do “pai” e na motocicleta “dele”, ou seja, a quem pertence a motocicleta? Esse duplo sentido corresponde a ambiguidade que é um vício de linguagem.

Se o candidato analisar minuciosamente cada questão e suas opções de respostas terá maior chance de aprovação.

REFERÊNCIAS

COLEÇÃO FIQUE POR DENTRO. Língua Portuguesa: a comunicação fácil e direta. Barueri: Gold, 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 6. ed. Curitiba, Positivo. 2005.

Elisandro Félix de Lima é formado em Letras pela UNESC – Faculdades Integradas de Cacoal, Pós-graduando em Gramática Normativa da Língua Portuguesa, Prof. Tutor nos cursos a distância da UNISA e revisor textual.

terça-feira, abril 19, 2011

"GRANDE SERTÃO VEREDAS" - JOÃO GUIMARÃES ROSA - O MAIOR ROMANCE BRASILEIRO: POR QUE LER?

by Rômulo Giacome







Quando conclui a última página de Grande Sertão Veredas, senti que tinha acabado de percorrer a minha maior experiência literária. Não só porque o tema me apraz muito e, ao contrário do que falam, tem muitos conflitos e aventuras. Mas também, retiradas os arroubos pessoais, nunca havia me deparado com tal vigor narrativo, tal sugestão descritiva e simulatória, e tão grandes relações sígnicas entre o vocabulário, a tensão categórica das forças visíveis e invisíveis, com uma regionalidade impressionantemente universal. 

quinta-feira, abril 14, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 4ª EDIÇÃO - DICAS PARA O USO E NÃO USO DO HÍFEN PÓS-REFORMA ORTOGRÁFICA

BY ELISANDRO FÉLIX DE LIMA

Em relação ao uso do hífen, as preocupações para quem gosta de escrever bem, dobraram, haja vista, se antes da reforma tínhamos dificuldades em associar as regras e exceções, agora, precisamos de mais cautela e pesquisa para compreender o assunto. Esta publicação não traz novidades conceituais, porém, o diferencial está na objetividade das informações, que facilitará ao estudante-leitor na hora de usar ou não o hífen. Acredita-se que alguns conceitos gramaticais não podem ser reinventados, mas uma abordagem reflexiva pode torná-los mais compreensíveis.

Segundo o guia da nova reforma ortográfica de Douglas Tufano, há 14 casos em que se usa o hífen e, em apenas 7 casos não se usa. Há duas exceções, uma associada ao uso e a outra ao não uso.

USO DO HÍFEN

1-) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação.

guarda-chuva/ arco-íris/ segunda-feira/ mesa-redonda/ vaga-lume/ bate-boca/bate-papo

Obs.: Exceções – não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedismo, paraquedista.

2-) Usa-se o hífen nos compostos que têm palavras iguais ou quase iguais, sem elementos de ligação.

reco-reco/ tico-tico/ glu-glu/ blá-blá-blá/ cri-cri/ pingue-pongue/ pega-pega/ zigue-zague

3-) Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação.

Belo-horizontino/ sul-africano/ mato-grossense-do-sul

4-) Usa-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies animais e botânicas (nome de plantas, flores, frutos, raízes, sementes) tenham ou não elemento de ligação.

Bem-te-vi/ andorinha-da-serra/ pimenta-do-reino/ cravo-da-índia/ peixe-espada

5-) Usa-se o hífen diante de palavras iniciada por h.

Anti-higiênico/ anti-histórico/ macro-história/ mini-hotel/ super-homem

6-) Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra.

micro-ondas/ anti-inflacionário/ sub-bibliotecário

7-) usa-se o hífen com prefixo sub e sob, também diante de palavra iniciada por r.

Sub-região/ sub-reitor/ sob-roda

8-) Usa-se o hífen com os prefixos circum e pan diante de palavra iniciada por m, n e vogal.

Circum-murado/ circum-navegação/ pan-americano

9-) Usa-se o hífen com prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice.

Ex-prefeito/ sem-terra/ além-túmulo/ aquém-mar/ recém-nascido/ pós-graduação/ pré-vestibular/ pró-europeu/ vice-presidente

10-) Na formação de palavras com ab, ob e ad, usa-se o hífen diante de palavras começada por b, d ou r.

Ad-digital/ ad-renal/ ob-rogar/ ab-rogar

11-) Usa-se o hífen com a palavra mal, quando a palavra seguinte começar por vogal, h ou l.

Mal-entendido/ mal-estar/ mal-humorado/ mal-limpo

12-) Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas.

Capim-açu/ amoré-guaçu/ anajá-mirim

13-) Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.

Ponte Rio-Niterói/ eixo Rio-São Paulo

14-) Usa-se o hífen nos compostos cujos elementos há o emprego do apóstrofo.

Gota-d’água/ pé-d’água

NÃO USO DO HÍFEN
1-) Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação.

Pé de moleque/ pé de vento/ pai de todos/ dia a dia/ fim de semana/ ponto e vírgula/ cara de pau

Obs.: Exceções – água-de-colônia/ arco-da-velha/ cor-de-rosa/ mais-que-perfeito/ pé-de-meia/ ao-deus-dará/ à queima-roupa

2-) Não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original.

Bico de papagaio (deformação nas vértebras) Olho de boi (espécie de selo postal)

3-) Não se usa o hífen se o prefixo terminar com a letra diferente daquela que se inicia a outra palavra. A regra é válida para os seguintes prefixos (aero, agro, auto, eletro, geo, hidro, macro, micro, mini, multi, neo, anti, inter, super, semi etc).

aeroespacial/ agroindustrial/ autoescola/ eletrodoméstico/ geografia/ hidroginástica/ macroeconomia/ microcomputador/ minicurso/ multiuso/ neoliberal/ antiaéreo/ intermunicipal/ superinteressante/ semicírculo

4-) Não se usa o hífen se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por r ou s. Dobram-se essas letras.

Minissaia/ antirracismo/ ultrassom/ semirreta/ motosserra

5-) O prefixo co junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o ou h. Neste último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas letras.

Coobrigação/ coedição/ coeducar/ cofundador/ coabitação/ coerdeiro/ corréu/ corresponsável/ cosseno

6-) Não se usa o hífen com os prefixos pre e re, mesmo diante de palavras começadas por e. Preexistente/ preelaborar/ reescrever/ reedição

7-) Não se usa o hífen na formação de palavras com não e quase.

Não agressão/ quase delito O texto não teve o teor de receita básica, isto é, “aprenda conceitos em cinco minutos”, porém a forma de distribuição dos casos facilitará ao estudante-leitor compreender melhor esses conceitos e exemplos.

Os conceitos e exemplos foram embasados nas obras de:

CELSO CUNHA, Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.

TUFANO, Douglas. Guia prático da Nova Ortografia: saiba o que mudou na ortografia brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 2010.

Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal, pós-graduando em Gramática Normativa da Língua Portuguesa, Prof. Tutor em cursos a distância da UNISA - Polo Cacoal-RO.

quarta-feira, abril 06, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 3ª EDIÇÃO - A IMPORTÂNCIA DA REVISÃO TEXTUAL

By ELISANDRO FÉLIX DE LIMA

Todo e qualquer texto deve estar sempre sujeito a revisão, isto é, a revisão textual não pode estar restrita somente aos textos, científicos, jornalísticos, didáticos etc. Mesmo um bilhete informal deve receber uma releitura após sua escrita, até porque, ninguém está livre do "erro". A releitura faz parte do processo da revisão. Às vezes, um pequeno recado em um recorte de papel pode ser mal interpretado, por causa de uma palavra ou expressão escrita equivocadamente, isso para não dizer "errada". Quando o emissor de um texto, seja qual for o tipo de texto, emite uma informação escrita, ele está a comunicar com um receptor. Se a informação contiver algum tipo de "erro" em relação à coerência ou coesão, a comunicação poderá ser comprometida. Quando o "erro" estiver relacionado às questões gramaticais, mesmo que não comprometa a informação, o emissor estará sujeito a ouvir pilhérias, se não, pelo menos ficar mal falado. A revisão textual poderá ser feita sempre pelo próprio emissor, porém quando o texto se tratar de monografias, artigos científicos, informativos, panfletos promocionais, anúncios, ou qualquer material direcionado ao público em geral, é bom que o texto seja revisado por um profissional da área de Letras. Segundo Medeiros (2009, p. 271) “todo trabalho escrito requer variadas leituras e revisões, quer relativamente ao conteúdo, quer relativamente ao uso da língua (aspectos gramaticais)”.


Para salientar a importância da revisão, separamos três cartazes, cada um, contendo um específico equívoco linguístico. Pode ser que, dos três cartazes, poucas pessoas tenham notado o tal equívoco. Mas, por serem cartazes informativos direcionado a um público geral, não fica bem para a empresa ou para a pessoa que escreve(u), publicar uma mensagem com equívocos linguísticos, especificamente, quando se usa palavras ou significados inexistentes na língua nacional.




O primeiro cartaz (parte superior da foto) trata-se de um informativo de ofertas. Percebem-se dois tipos de equívocos. O primeiro relacionado à frase e o segundo a oração. Para efeito da análise conceituaremos frase e oração. A frase é qualquer tipo de enunciado com sentido completo. A oração é um enunciado que contém um ou mais verbos. Isso quer dizer que, a frase pode ser um tipo de oração. Por isso, a frase pode ser nominal ou verbal. A frase pode ter também um teor declarativo, afirmativo, negativo, interrogativo, exclamativo, imperativo ou optativo. O que guia o tipo de frase no contexto escrito é a pontuação aplicada adequadamente. Dentro do enunciado (parte superior da foto) “Atenção” pode ser considerada uma frase, uma vez que possui teor de entonação. Não é uma exclamação, mas cabe um ponto exclamativo. É como se o emissor enfatizasse o enunciado (chamasse a atenção), como o próprio nome diz “atenção!”.


A outra parte do enunciado trata-se de analisar a oração. Percebe-se um equívoco de concordância verbal. A oração é constituída de um sujeito longo e com um predicado contendo dois verbos, o primeiro, verbo principal, o segundo verbo auxiliar no infinitivo. Para caracterizar a certeza da concordância verbal, devemos “estudar o sujeito, pois é com este que o verbo concorda. Se o sujeito estiver no singular, o verbo também o estará; se o sujeito estiver no plural, o mesmo acontece com o verbo”. Assim, analisamos a oração “o preço de alguns produtos poderão estar abaixo do valor anunciado”. No caso de sujeito longo, como é o caso da oração, deve ser evidenciado o núcleo do sujeito, é o núcleo do sujeito que concordará com o verbo. “para saber se o verbo deve ficar no singular ou no plural, deve-se procurar o sujeito, perguntando ao verbo “que(m) é que pratica ou sofre a ação?”. A resposta indicará como o verbo deverá ficar. Sendo assim, perguntaremos ao verbo. Quem ou o que poderá estar abaixo do valor anunciado? A resposta correta é “o preço ou alguns produtos?”. No caso do enunciado do informativo, a resposta só poderia ser “o preço”.


Então, a oração deverá ter a seguinte concordância: “o preço de alguns produtos poderá estar abaixo do valor anunciado” (singular), ou “os preços de alguns produtos poderão estar abaixo do valor anunciado” (plural). A oração pode ter sentido somente com a parte essencial do sujeito, que é o núcleo, “os preços poderão estar abaixo do valor anunciado ou, simplesmente, o preço poderá estar abaixo do valor anunciado. O equívoco se deve então, a uma construção oracional em que o núcleo do sujeito “o preço” (singular) não concorda com o núcleo do predicado “poderão” (plural).


O segundo cartaz (parte central da foto) trata-se de um aviso. Dentro do enunciado usou-se a palavra “rol” com significado de (entrada). Tudo bem que o recado foi compreendido, porém a palavra “rol” na língua nacional tem como significado (inventário, lista, relação, enumeração). O uso correto da palavra “rol” só poderia ser escrito em sua língua oficial, em inglês “hall” (salão, sala, corredor, saguão, refeitório). É certo que “hall” é um neologismo muito utilizado em nossa língua, porém se usa na oralidade “[‘r ɔ ɫ]” (AFI – Alfabeto Fonético Internacional). Portanto, na escrita, deve-se escrever “hall”.


O terceiro cartaz (parte inferior da foto) anuncia um evento que terá início às 12h, isto é, a partir das 12h. O equívoco está relacionado ao emprego da crase em “à partir”. Uma das várias regras gramaticais para o uso e não uso da crase é “não se usa acento grave (crase) antes dos verbos no infinitivo". (Exemplos: a vencer, a partir, a pagar). O que dificulta muito para os usuários da língua portuguesa, em relação ao acento grave, é que na oralidade não é percebido a fusão do artigo “a” e “a” preposição. Discutir a questão do uso e não uso do acento grave levaria muitas páginas, o que não é o foco deste texto.


O texto não teve como objetivo fazer condenações aos equívocos cometidos pelos emissores do material analisado. O material, somente, serviu de suporte para melhor informar os leitores da importância da revisão textual, levando em consideração o uso da língua (aspectos gramaticais).


REFERÊNCIAS



CELSO CUNHA, Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.


COSTA, José Maria da. Manual de Redação Profissional. 3. ed. Campinas: Millennium, 2007.


MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2009.



Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal, pós-graduando em Gramática Normativa da Língua Portuguesa, Prof. Tutor em cursos a distância da UNISA - Polo Cacoal-RO.

segunda-feira, abril 04, 2011

PÓS-GRADUAÇÃO EM GRAMÁTICA NORMATIVA DA UNESC PRODUZ CARTA PROPOSTA COM 10 ORIENTAÇÕES SOBRE O ENSINO DE GRAMÁTICA NA ESCOLA

















CARTA PROPOSTA ELABORADA PELOS ALUNOS DA ESPECIALIZAÇÃO EM GRAMÁTICA NORMATIVA, PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU, (UNESC-RO), COM O OBJETIVO DE DIVULGAR O RESULTADO DAS DISCUSSÕES, LEITURAS E REFLEXÕES ACERCA DO ENSINO DE GRAMÁTICA EM SALA DE AULA. ESTA PROPOSTA PERFILA O INTUITO DA PESQUISA ACADÊMICA CONTRIBUIR COM A EDUCAÇÃO LOCAL, EXERCENDO SUA FUNÇÃO SOCIAL.


By Rômulo Giácome

APRESENTAÇÃO

O presente documento registra o conjunto das reflexões, leituras e discussões empenhadas na Pós-Graduação em Gramática Normativa, acerca do ensino de Gramática da Língua Portuguesa nas escolas e cursos de ensino fundamental e médio. Este termo é constituído de 10 orientações gerais, configuradas na situação de dicas ou noções teórico / práticas para um ensino da gramática pautado na maior eficiência e contextualização com as tendências contemporâneas. Muitas destas já são de conhecimento da maioria dos professores, mas por seu caráter imprescindível, necessário se faz tê-las como norteadoras da nossa prática no ensino da gramática. Todas estas 10 orientações são frutos da pesquisa e troca de experiências entre os pesquisadores do ensino e prática Gramatical, estudantes da disciplina de Metodologia do Ensino de LP, na Pós-Graduação em Gramática Normativa da UNESC, sob a orientação do Professor Rômulo Giácome.  


ELEMENTOS IMPRESCINDÍVEIS A UMA PRÁTICA EFICIENTE DO ENSINO DE GRAMÁTICA


1 Mostrar a importância da escrita e da leitura como recurso diário do profissional e ser humano, levando matérias em jornais, modelos, vídeos ou outras formas de estímulo que assegurem ao educando o quanto os conhecimentos gramaticais podem mudar sua realidade.


2 Criar situações e contextos de escrita e da prática de produção textual e leitura em sala de aula; Ex: aproveitar momentos de indignação, repúdio, felicidade coletiva para produzir cartas de protesto e indignação, manifestos, desculpas, etc.


3 Socializar a produção de modo a tornar os resultados significativos; Ex: Exposições, mostras, palestras, murais, semanas temáticas, etc.


4 Exercitar a auto-correção e a correção crítica do texto alheio e do mundo que cerca o aprendiz, canalizando sua energia crítica rumo à análise dos escritos que o rodeiam;


5 Gerar conflitos cognitivos – ou seja, utilizar o suposto “erro gramatical” como elemento gerador de novos conhecimento e não como elemento repressivo. A partir dele a correção surge mais presente, transformando-se em “conhecimento significativo”. Logo, o erro é motivo importante para ensinar. Só aprende o certo quem erra.


6 Imprimir “necessidades” gramaticais nos alunos; construir situações de uso prático da gramática para que o aluno “necessite” daquele conhecimento, evitando a prática “artificial” e “memorizante” das regras.


7 Implementar integração, pela rede ou outros meios, da produção textual constituída no seio escolar, utilizando as redes sociais e comunidades virtuais;


8 Elaborar programas de nivelamento ou monitoria, nos quais os alunos selecionados auxiliarão na formação do colega.


9 Promover ciclos de palestras feitas por profissionais de outras áreas (dentistas, advogados, administradores, gerentes, vendedores, etc) falando sobre a importância da LP em seu dia a dia e de como este conhecimento gramatical é pertinente no campo profissional, proporcionando estímulos reais aos aprendizes de gramática.


10 Fomentar atividades que bonifiquem a boa produção em razão da má produção, mostrando os critérios de seleção, organização, coerência e concisão, fortalecendo a competitividade sadia e respeitável.


REFERÊNCIAS


BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. O que é e como se faz. 4ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2000.


DIOS, Cyana Leahy (Org). Docência da Língua Portuguesa. Experiências Contemporâneas. Niterói: CL Edições, 2008.


GERALDI, João Vanderlei. O texto na sala de aula. 4ª Ed. São Paulo: Ática, 2007.


LUFT, Celso Pedro. Língua e Liberdade. 8ª Ed. São Paulo: Ed. Ática, 2000.


PERINI, Mário A. Sofrendo a Gramática. 3ª. Ed. São Paulo: Ed. Ática, 2002.


POSSENTI, Sítio. Por que não ensinar gramática na escola. 8ª Impressão. São Paulo: Ed. ALB, 2002.