quarta-feira, julho 10, 2013

CUSCO - SIMBOLOGIA HISTÓRICA QUASE DESCONHECIDA PELO TURISTA

O EMBATE COLONIAL E INCA SOB A FORMA SIMBÓLICA NO CENTRO DE CUSCO, COM ALGUMAS REPRESENTAÇÕES E FATOS QUASE DESCONHECIDOS DOS TURISTAS, QUE TORNAM A OPRESSÃO CULTURAL DO ESPANHOL MAIS EVIDENTE E BRUTAL.

Palavras-chave: Cusco. Pedra dos Doze Ângulos. Pedra dos Treze Ângulos. Inca Roca. Arquitetura Inca.  

By Rômulo Giácome & Helem Cristiane
By Juan Alberto

Bem no centro de cusco, no U formado pelas estreitas Calles que compõem e adornam o palácio Inca Roca, um dos Doze Palácios mais importantes da cultura Inca, tivemos uma verdadeira aula de cultura Inca, Simbologia e História, destacando a grande opressão e expropriação da cultura Espanhola para com a cultura Quechua. Buscando a pedra dos doze ângulos, acabamos por encontrar a pedra dos TREZE ângulos, na calle Inca Roca. 
É impressionante contarmos os cantos e percebermos que temos treze ângulos de encaixe, tornando este trabalho um quebra cabeça descomunal, o que faz inferirmos a possibilidade de um planejamento inicial muito bem detalhado. Segundo Juan Alberto, nosso guia historiador, este encaixe serve como uma trava, amarrando as pedras umas nas outras sem necessidade de cimento. Bem, mas se já conhecemos a pedra dos treze ângulos, por que conhecer a pedra dos doze ângulos?  

Porque a pedra dos doze ângulos tem uma simbologia importantíssima. Ela representa os doze palácios incas dispostos por Cusco (que na verdade, em Quechua, língua do povo Inca, significa Qosqo). Além de ser o centro de Cusco, sinalizada como marco inicial e pedra fundamental dos palácios e de sua arquitetura incrível. As trinta e duas Igrejas católicas construídas em Cusco, tiveram engenharia Inca, o que as tornou resistente aos abalos sísmicos. Vejamos o contraste da engenharia Inca com a chamada por Juan, engenharia dos INCApazes espanhóis. 
Um pouco muito menos bem feito (ironia). Inclusive esta parte havia desabado, travando esta pequena Calle que fica ao lado do Palácio Inca Roca. É bom deixar elucidado que este palácio, o palácio de Inca Roca, é onde estão as paredes com as pedras interessantes. Ele foi um dos grandes caciques indígenas Incas. Bem ao fundo do palácio Inca Roca está contida uma outra e talvez surpreendente representação gráfica. A representação, por pedras, do Puma. O Puma é um animal importante da trilogia inca, que significa o reino da terra e o poder. O Côndor representa o reino dos céus e a Serpente o reino subterrâneo, ou dos mortos. Para a cultura Inca a serpente também significa a sabedoria e a casta da nobreza Inca, os ricos e poderosos. Enquanto que o raio representa a classe trabalhadora, agricultores e construtores. O sistema indígena inca é também baseado em divisões sociais rígidas. Abaixo a parede com a representação do Puma.
 Fonte: http://hiddenincatours.com/tour/day-tour-cusco/

Nesta parede é possível ver a representação do Puma. Ela só surge no solstício, quando o sol compõem um jogo de luz e sombra, proporcionando seu surgimento. Em Machu Picchu é possível ver o rosto de um homem quando no mesmo solstício, ocorre o fenômeno (proposital ou não?). É importante lembrar que Cusco também tem a forma de um Puma.


Os Incas dominavam como ninguém o calendário solar, lunar e estelar. Isto os tornava refinados em sua religião, porque dominavam as estações do ano e obtinham melhores resultados nas plantações. Continuando o tour, as portas deste grande palácio Inca Roca passam despercebidas da maioria, mas esconde uma simbologia impressionante. Primeiro é um portal, e não uma porta comum. Possui dois níveis de portais, um aparente e outro profundo. Mas a mescla com a cultura Colonial fez ele conter duas simbologias: as serpentes significando a nobreza Inca; e o Brazão espanhol do papado acima da própria representação da nobreza do grande império Tahuantinsuyo, que se estendeu por toda América do sul. 

  Visão geral da porta do palácio Inca Roca. Dois níveis do portal e porta de madeira inserida pelo Espanhol. Acima o brasão quadrado Colonial e pouco abaixo as duas serpentes esculpidas em alto relevo na pedra, indicando a nobreza Inca. 
 Detalhe da pedra dos Quatorze Ângulos, indicando status na construção e acabamento do Castelo. Era sinal de poder e conhecimento esta marna na engenharia Inca, mostrando capacidade construtora. 
Abaixo uma sacada toda em madeira, introduzida pelos espanhóis, talhada em Cedro e ao estilo Rococó, sem pregos fixadores, só com o encaixe.
O sinal que demarca o centro histórico e arqueológico de Cusco, em que passamos muitas vezes sem notar.
Contexto do marco central: Palácio Inca Roca e suas imediações.
Acima, portal de arquitetura pré-inca; iniciando a especialização; já com as pedras bem cortadas, sem polimento, mas com inclinação. Abaixo arquitetura Inca, pedras bem polidas, inclinação em forma Piramidal, sem cimento. 
 Aqui abaixo a Arquitetura Colonial.
Bem, nesta fase Juan nos leva a conhecer o palácio do mais importante Cacique e líder Inca, Aucaypata, um grande mártir da Revolução indígena. Ele possuía muitas posses e poder dentro da cultura indígena, e decidiu resistir contra a expropriação cultural Espanhola, que já dominava boa parte da cultura Quechua, incluindo seu idioma, que era proibido. Além da opressão religiosa, que era feita nas artes, na língua e na escolarização pelos Jesuítas. O palácio de Aucaypata fica bem no centro de Cusco, ao lado do hoje hotel mais caro, o Monastério, onde ficavam enclausurados padres católicos. Ele é conhecido como palácio das sete serpentes, simbolizando seu poder. 


Nas imagens acima é possível visualizar as serpentes entalhadas em relevo nas pedras, sinal de força, riqueza e nobreza dentro da comunidade Indígena. A história de Aucaypata merece um livro e memoriais mais importantes. Neste tópico apenas mencionarei pontos simbólicos / turísticos para reencontrar a história deste mártir da resistência Inca pouco conhecido pelo ocidental. 
Ele foi o primeiro indígena a estudar em uma escola Real Católica. Esta escola é a mais antiga da América do Sul, fundada em 1961. (Colégio Real São Francisco de Borja)
Mas é aqui o ponto que inicia a emoção a cerca da história que ronda a cultura Inca. Ao chegarmos a Plaza del Armas, Juan nos fala que seu nome original é xxxx, ou seja, praça das lágrimas. Em função, além das procissões que representavam os mártires da revolução, as guerras e os mortos pelos espanhóis na colonização, a chamada Santa Inquisição atuou de modo atroz. Evidentemente a Igreja Católica e os Jesuítas não usaram apenas a Arte e Língua para colonizar os Incas. Mais do que isso, fizeram uso da tortura e da violência. Vejam só a iconoclastia desta imagem. A sala utilizada pela Santa Inquisição no período colonial.
  Abaixo o detalhe da morte; simboliza a violência de opressão religiosa ante ao Indígena Quechua.


5 comentários:

SILVANA VALIM disse...

Olá professor bom dia,muito bom todos os detalhes que vc colocou, perfeita explicação, vc observou coisas que eu estive no lugar e passou muito despercebido por mim. Vou acompanhar as publicações aqui. Parabéns!

Anônimo disse...

Simplesmente fantástico!

(Nicy Oliveira)

Rogério Dias disse...

Parabéns pela viagem e pela aula que nos proporciona, compartilhando tantos conhecimentos históricos conosco! Abraço!

rosilaine marafon disse...

Simplesmente fantástico!! Esta matéria sobre a cultura Inca nos revela conhecimentos dos quais somente um profissional da área da semiologia poderia perceber, nós seus alunos de LETRAS, sem duvida seremos beneficiados neste semestre.

Maria Dorotéia disse...

Professor,estou impressionada com tamanha beleza: é intrigante cada detalhe. Incrivel,PARABÉNS.