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sexta-feira, julho 19, 2013

TURISMO CULTURAL EM CUSCO - SIMBOLOGIA E HISTÓRIA II

NESTE TÓPICO PROCURO ENGENDRAR A RELAÇÃO ENTRE O TURISTA INTERESSADO EM HISTÓRIA E SIMBOLOGIA, LEIGO MAS VIDRADO EM SEMIÓTICA COMO EU,  E A ASTUCIOSA ENGENHARIA INCA, SUAS ROCHAS E A HARMONIA RELIGIOSA COM OS PORTAIS, TUPAC AMARU II E A GRANDE REVOLUÇÃO, AUCAYPATA E A PRAÇA DAS LÁGRIMAS, TAMBÉM CONHECIDA POR PLAZA DE LAS ARMAS, QUE GUARDA O TÚMULO DE UM MITO DA RESISTÊNCIA. 

By Rômulo Giácome & Juan Alberto (Cusco) 

Dando sequência à matéria cultural escrita ainda em Cusco, celebro nesta postagem a grandiosidade do movimento revolucionário de Tupac Amaru II, um personagem mítico e pouco lembrado pelo turista convencional. Antes de tudo é importante relembrar o quanto a arquitetura e engenharia funcional eram importantes aos Incas. Sua sabedoria de grandes construtores era motivo de proximidade com os criadores e criaturas mitológicas da sua religião. Assim, o trabalho mais difícil e rebuscado, o melhor acabamento e polimento estavam reservados aos palácios com nobreza e indicação sacerdotal, bem como templos religiosos. Os Incas já conheciam bem sua geologia e clima, sabendo que os abalos sísmicos eram regulares. Sua engenharia possibilitou aguentar grandes abalos, como os ocorridos na década de 50. 
Pedras maiores nos cantos, menores em baixo e médias em cima, mantendo uma estrutura que possibilitava um movimento. Além da inclinação de 70º, que tornava a força sísmica menos tensa em relação ao ângulo de 90º graus das estruturas comuns. Isto tudo tendo em vista a perfeição do encaixe Inca, que torna-se parecido com outros importantes Trabalhos, como em Puma Punku e a cultura do templo de Tiwanaku. (Bolívia). Ambos muito estudados pela perfeição do corte na rocha, corte este quase milimétrico. 
Pude reparar, como um turista comum, que o encaixe e o polimento das pedras no templo de Qorikancha é absurdamente preciso e trabalhado de modo exaustivo, com lixas de areia e água. Por ser o templo mais importante da religiosidade Inca, Qorikancha está localizado no coração do Puma representado pela cidade de Cusco. E logo teve mais detidamente a perfeição do trabalho em pedra do Inca. 
Acima temos uma foto tirada em uma parede de pedra de Qorikancha. Neste mesmo templo o apreço pelo detalhe e trabalho na rocha configura uma harmonia ímpar, precisa e mística, principalmente pelas alegorias semióticas constituídas pelos portais maiores e menores que eles gostavam de esculpir nas rochas de maneira precisa. Mesmo que as teorias afirmem que estes buracos perfeitos e quadrados nas paredes sejam suportes para os ídolos quebrados pelos Espanhóis, os indícios nos permitem inferir um portal místico. 
Acima o guia Júlio Cézar e dois portais menores. Na verdade eles sempre surgem em número de três, pois este número esotérico é a base de uma matemática da trilogia Inca. Abaixo a foto dos portais que mais me chamaram a atenção. Localizados depois de Puka Punkara, nas famosas fontes de TamboMachay. Belíssimos e místicos portais, harmonizados pela fonte. (os quatro portais logo acima). 
Uma foto mais nítida dos portais maiores acima. E abaixo uma visão total de todos os portais em TamboMachay
Finalizando a temática da engenharia Inca, chamou-me a atenção a forma como os Incas possuíam estreita relação com a relatividade da natureza e suas construções, parecendo que elas conseguiam acompanhar o ritmo da MamaPatha. (Mãe solo). Abaixo mais uma foto executada no centro de Cusco, apresentando a engenharia anti-sismos dos Incas. (Pedras maiores nos cantos, com os suportes para pegar ainda intactos)
O nosso histórico e semiótico guia Juan Alberto nos levou a conhecer o Palácio das Serpentes, palácio este que já mostrei na postagem anterior. Ele nos sugeriu que ali havia morado o famoso Tupac Amaru II, o grande revolucionário que se rebelou muito jovem contra os Espanhóis. É importante abrir um parênteses neste ponto, pois a serpente é um símbolo relevante para a cultura Inca, por ser parte da trilogia religiosa e sociológica. Na prefeitura de Cusco (ou Municipalidade), o prédio que também abriga o Museu de Arte Contemporânea) fraquíssimo por sinal, possui duas serpentes esculpidas nas pedras. É relevante, curioso e divertido tentar percebê-las e encontrá-las em construções legitimamente Incas. Bem, Juan Alberto nos alertou para a passagem secreta que existe entre os dois palácios. O palácio das Sete Serpentes (que foi utilizado como monastério de freiras) e o prédio que hoje é chamado Monastério (Hotel cinco estrelas de Cusco). Esta passagem era utilizada para o trânsito de padres no monastério das freiras. Possivelmente para sanar vontades que não eram tão religiosas. (Abaixo a foto da passagem secreta).
No palácio das serpentes, segundo relatos dos guias e pessoas ligadas, existe o mito da Corrente de Ouro de um sapa Inca Imperador Atahualpa. A famosa corrente de Huáscar (que em Quechua significa Corrente), tem sua história contada em um interessante artigo que indico a leitura. https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CDAQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.yurileveratto.com%2Fpo%2Farticolo.php%3FId%3D220&ei=NdTpUfbQGeHA4APixYDoDA&usg=AFQjCNGwySyNNWtpUx4bn_PILuBSCxdtXQ&sig2=3gmY2dTb9h6Hqa0PSptyFw 
Bem, Tupac Amaru II era mestiço. Descendente de Incas e Espanhóis, rico e influente desde cedo, teve educação completa Crioula desde os doze anos. Foi o primeiro indígena a estudar no famoso colégio da foto abaixo, ou o primeiro colégio da América Latina. 
Ao se rebelar contra os Espanhóis em 1780, foi preso, torturado e morto em situação cruel. Sua cabeça decepada do corpo, que foi dilacerado por cavalos (segundo Juan Alberto). Sua família e descendentes foram metralhados e praticamente extintos. Mas sua causa, força e luta ficaram no campo mais importante de uma etnia ou nação: na memória, fortalecendo as paredes do imaginário coletivo, reforçando a ideologia de consciência da opressão Espanhola. Assim, unidos pelo mito de Tupac Amaru, sua iconografia serviu de forma definitiva para a luta cultural anti espanhola. Onde está sepultado o coração deste mito? em um lugarzinho pequenininho na Praça de Las Armas, que na verdade, é a grande AUCAYPATA, ou o berço imemorial da luta Inca contra a colonização cruel Espanhola, que lhes rasgou a religiosidade, suas crenças, cultura e língua. Ao estarmos frente a frente com esse lugar, e saber que parte dele estava ali, sentimos as lágrimas rolarem da face. 
Não consigo deixar de esquecer, porque ecoa dentro de todos aqueles que sentem a violência da opressão, as palavras inscritas na lápide deste grande mito: "Não podem matar-nos". E realmente, a cultura Inca sobreviveu, resplandeceu e hoje é uma das sete maravilhas da humanidade e um dos destinos turísticos culturais mais importantes do mundo. 
Por fim, era impossível não conhecer o imperador Inca que mais desenvolveu o império deste povo indígena especial. O Grande Pachacuti, que tem sua estátua colocada sobre a fonte na Praça Principal no mês de Julho, foi responsável pelo desenvolvimento estrondoso do império chamado Tawantinsuyo. Ou império das quatro direções do Sol. Ou império do Sol das quatro regiões. Este império tinha as dimensões entre a Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia. É interessante observar que a escrita da cidade de Cusco está na etimologia e grafia original Quechua. "Qosco". Que significa o umbigo do Império Inca de TawantinSuyu. Pois Qosco está bem no meio do império. 

O Inca sapa Imperador olhando o seu império. Na verdade, o Império Inca, além de sua grandeza monumental arquitetônica, trouxe uma religião e organização interessantíssima, que merece tópico a parte. Em outro post discutirei não a religiosidade Inca, mas três elementos interessantes de sua cultura religiosa que o turista não antropólogo ou sociólogo podem observar. A trilogia Inca, a Cruz andina e a relação dos símbolos com o sol e a lua. Este último tema está disposto em muitos dos monumentos de rocha que visitamos no City Tour, como Puka PunkaraSaqsay Wamán

Um comentário:

Antonio Ribeiro disse...

CUSCO, linda cidade, pretendo voltar... http://andarilhoexpedicoes.blogspot.com.br/